07/05/2026 às 20:06 Capa

A maior locadora catarinense

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7min de leitura

Não é  locação. É controle.

Como a Inova transformou mobilidade corporativa em estratégia e porque a sucessão acelerou o crescimento

O mercado de locação de veículos no Brasil nasceu concentrado, padronizado e orientado ao turismo. Foi fora desse eixo que a Inova enxergou uma oportunidade: atender empresas.

Em Santa Catarina, longe dos grandes centros, ela estruturou um modelo voltado ao cliente corporativo — mais previsível, mais exigente e menos explorado. Não era apenas uma mudança  de público. Era uma mudança de lógica.

A Inova nasceu assim: menos balcão, mais gestão e relacionamento.

A decisão que mudou o jogo

Durante 17 anos, a empresa operou sob a bandeira da Avis. O período trouxe padrão e escala,mas também evidenciou limites. Em 2008, veio a ruptura.

A criação de uma marca própria não foi apenas um reposicionamento. Foi uma decisão de controle. A Inova deixou de operar como locadora para atuar como solução de mobilidade corporativa.

Na prática, isso significou assumir um papel mais profundo na operação dos clientes: gestão de frota, previsibilidade de custos e adaptação ao negócio de cada empresa. O serviço deixou de ser transacional. Passou a ser consultivo.

O que o setor não via

A condução da Inova se apoia em uma dinâmica clara: decisão compartilhada, responsabilidade definida e alinhamento estratégico entre Carla Philippi e Marcus Marchini.

Mais do que dividir funções, essa parceria construiu um modelo baseado na complementaridade — onde visões distintas não competem, mas qualificam a decisão.

Dentro desse contexto, a atuação de Carla introduziu um vetor que nem sempre foi valorizado no setor. Em um setor orientado por volume, margem e eficiência operacional, ela incorporou à gestão elementos como leitura de contexto, proximidade relacional e visão sistêmica. Não como discurso — como prática.

O resultado não é apenas cultural. É operacional. A principal evidência desse modelo não está na pauta da diversidade, mas na eficiência que ele gera. Inteligência emocional e agressividade comercial não disputam espaço — ampliam capacidade de execução.

Empresas que ainda tratam esses fatores como opostos perdem competitividade.

A Inova não criou uma exceção no mercado. Revelou um limite que muitos ainda não perceberam.

O Encontro de Gerações com Carla e Carolina

Carolina Philippi Marchini tem 26 anos, formação em Direito, passagem pelo empreendedorismo e uma escolha deliberada que diz muito sobre ela: vendeu a própria marca de moda fitness para entrar de vez na Inova.

Não foi um caminho óbvio. Por anos, manteve distância do negócio da família — primeiro como advogada, depois como fundadora. Só quando percebeu que não conseguiria conduzir os dois com seriedade, fez a escolha. Entrou na Inova para “ver se gostava”. Ficou.

O que Carolina trouxe não foi apenas juventude — foi urgência. Sua leitura do comportamento digital, das mudanças de consumo e do potencial da inteligência artificial começou a incidir diretamente na operação. Na Inova, isso se traduziu em otimização de fluxos, automação e uma velocidade de adaptação que empresas de seu porte raramente têm.

A tensão geracional, que em muitas empresas familiares é fonte de conflito, aqui virou ativo. O desafio agora é manter isso conforme a empresa cresce. 

Carla Philippi não usa palavras fáceis para descrever a entrada da filha na Inova. Chama de “conexão entre experiência e renovação” — e explica com precisão o que isso significa na prática.

Depois de 35 anos num setor que ela estruturou, Carla reconhece o que sua própria trajetória não consegue mais oferecer: o olhar de quem não carrega o peso do que sempre funcionou. Carolina, diz ela, representa uma geração que já nasceu dentro da tecnologia, com leitura rápida de comportamento, consumo e decisão — e que hoje já ocupa posições de comando no mercado que a Inova atende. 

O que Carla descreve não é apenas competência técnica. É energia — uma inquietude que provoca movimento interno. E isso, segundo ela, é o que separa empresas que duram das que estacionam: a capacidade de equilibrar a solidez de quem já errou e aprendeu com a impaciência de quem ainda vai testar os limites.

A aposta de Carla é que a Inova continue se reinventando sem perder o que construiu. É uma aposta arriscada — e ela sabe disso. Mas prefere o risco da transformação ao conforto da estagnação.

A Gestão Híbrida de Carolina

Num escritório de advocacia, Carolina aprendeu que tudo precisa ser registrado. Na Inova, aplicou isso à gestão: processos documentados, planilhas, fluxo de caixa acompanhado de perto. Do pai herdou o princípio — “o caixa é o rei” — e da mãe, o antídoto para a frieza dos números: a escuta, a paciência, o cuidado com quem executa.

Sua gestão tem marcas concretas: implantação de inteligência artificial na operação, RH com presença ativa da liderança — ela mesma participa de feedbacks e eventos internos — e uma comunicação direta com a equipe que, segundo ela, não é só política de empresa, é postura.

O relacionamento dentro da Inova segue a mesma lógica: não há hierarquia rígida nem consenso automático. O que há é um acordo tácito de que discordâncias são bem-vindas — desde que venham acompanhadas de argumento. Carolina aprendeu com a mãe que nem toda ideia boa precisa ser implementada amanhã. Algumas precisam amadurecer. Essa paciência, diz ela, custou a aprender.

O modelo que emerge não é o de uma sucessão clássica — filha assume, mãe e pai recuam. É uma sobreposição de estilos que, por enquanto, funciona. A pergunta que a Inova ainda vai ter que responder é quanto tempo esse equilíbrio se sustenta à medida que a empresa escala.

Desafiando Gigantes e Redefinindo o Setor

Aplicativos de mobilidade e locadoras 100% digitais ocupam um espaço real — mas delimitado. Atendem ao deslocamento urbano e imediato. A locação corporativa é outra categoria: exige gestão de frota, previsibilidade de custos, contratos de médio prazo e adaptação à operação de cada cliente. São mercados distintos que raramente se rivalizam de fato.

O posicionamento da Inova é explicitamente consultivo: não vende pacote, mapeia operação. Isso tem um custo — ciclo de venda mais longo, equipe com perfil técnico, menor escalabilidade imediata. E uma vantagem difícil de replicar: clientes que ficam porque mudar dói mais do que renovar.

Em Santa Catarina, onde o mercado ainda tem espaço para consolidação, essa aposta faz sentido. A questão é se o modelo aguenta a pressão quando o setor — que já cresceu 17,8% em um ano — começar a atrair players com capital para comprar participação de mercado que a Inova construiu na base do relacionamento. 

O Futuro da Mobilidade

A expansão da Inova segue uma lógica deliberadamente gradual: antes de avançar para novos territórios, aprofundar a presença onde já está. Em Santa Catarina, isso significa mais unidades, mais pontos de atendimento e um portfólio de soluções que acompanha o que a mobilidade corporativa passou a exigir — muito além do veículo em si.

A eletrificação da frota está no planejamento, mas sem pressa performática. A Inova já oferece híbridos e elétricos, e trata a transição como o que ela é: uma mudança de cadeia inteira — recarga, manutenção, peças, seminovos. Adotar antes do mercado estar pronto não é liderança; é risco desnecessário repassado ao cliente.

Para a próxima década, Carla desenha uma Inova que funciona como plataforma — mais ágil, mais tecnológica, com mais camadas de serviço. Mas com uma condição inegociável: manter a proximidade com o cliente como diferencial real, não como slogan.

Num setor em aceleração, com capital entrando e modelos digitais ganhando espaço, esse equilíbrio vai ser testado. A Inova aposta que relacionamento não é o oposto de escala — é o que permite escalar sem virar commodity.

O Lado Humano da Liderança

Além da trajetória empresarial, há uma dimensão mais silenciosa que sustenta as decisões de Carla Philippi. Mãe de Carolina e Marina, ela construiu sua liderança sem dissociá-la da vida pessoal — ao contrário, fez desse equilíbrio uma base.

É fora da operação que muitas vezes encontra clareza. Na atividade física, na pintura ou em viagens que ampliam repertório e perspectiva, Carla busca o distanciamento necessário para voltar com mais precisão. Não como escape, mas como estratégia de renovação.

Esse equilíbrio não é circunstancial. É o que permite consistência.Ao longo de 35 anos, o principal aprendizado não veio apenas dos acertos, mas da capacidade de atravessar ciclos sem perder direção. A serenidade diante das mudanças — influência direta de seu pai — e a convicção de que confiança e credibilidade não se negociam formaram os pilares de sua atuação.

Para Carla, crescimento não é linear. É construído na adaptação, na leitura de contexto e na disposição contínua de evoluir. Cada fase cumpre um papel. Cada desafio ajusta o caminho.

Esse entendimento se tornou parte da cultura da Inova — não como discurso, mas como prática.

Ao falar com outras mulheres empreendedoras, seu ponto não é incentivo vazio, mas consciência. Reconhecer competências, desenvolver o que ainda não está pronto e não subestimar características muitas vezes vistas como secundárias — empatia, escuta, atenção aos detalhes.

Na prática, são diferenciais.

Mais do que ocupar espaço, trata-se de saber como sustentá-lo. E, principalmente, de construir um caminho que não exija abrir mão do que é essencial.

 Crescimento sustentado

A síntese da Inova, nas palavras de Carla Philippi, é direta: credibilidade, confiança e proximidade para crescer junto.

Mais do que um conceito, essa definição orienta decisões há 35 anos.

Ao longo desse período, a empresa construiu uma trajetória consistente no setor de mobilidade corporativa, baseada menos em escala e mais em relação. Cresceu acompanhando seus clientes, ajustando sua operação às mudanças de cenário e fortalecendo uma cultura que combina disciplina, adaptação e visão de longo prazo.

A Inova deixou de ser apenas uma locadora para assumir um papel mais amplo: participar da gestão, entender a dinâmica de cada cliente e entregar soluções que sustentam operações mais previsíveis.

Esse posicionamento consolidou a empresa como referência — não por discurso, mas por consistência.

E é essa base que projeta os próximos ciclos: evolução contínua, decisões responsáveis e crescimento sustentado.



07 Mai 2026

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