07/05/2026 às 19:07 Colunistas

IA e o Estado: só regular não basta

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Durante anos, governos observaram a tecnologia de fora, regulando e reagindo. Com a Inteligência artificial, esse modelo deixou de funcionar. Não basta entender e controlar. É preciso saber usar. A IA não é apenas uma ferramenta de eficiência. Ela redefine como decisões são tomadas, como políticas públicas são desenhadas e como recursos são alocados. Trata-se de uma nova capacidade de decidir em escala e isso altera diretamente o poder de governar.

Grande parte do debate ainda se concentra na regulação: limites, riscos, proteção de dados. Tudo necessário, mas longe de ser suficiente. Um Estado que apenas regula, sem desenvolver capacidade real de uso da IA, tenta controlar algo que não domina. Essa é uma posição estruturalmente fraca e perigosa.

Na prática, as consequências já aparecem: decisões mais lentas, políticas menos eficazes, desperdício de recursos e dependência crescente de tecnologia estrangeira (com zero soberania sobre os dados e modelos). Enquanto isso, governos mais preparados incorporam a IA como infraestrutura de decisão em saúde, segurança e gestão fiscal.

O problema não é falta de tecnologia. É falta de estrutura, de governança de alto nível e de liderança. Não é tarefa apenas de áreas técnicas, é responsabilidade direta de ministros, secretários e chefes de governo.

A IA precisa sair do discurso e entrar na agenda estratégica do Estado, com critérios claros, responsabilidade definida e capacidade de execução. Temos um Plano Brasileiro de IA com ambição de bilhões em investimentos, mas ainda falta uma estrutura central forte. Onde está o nosso Ministério da Inteligência artificial? Quantos governadores criaram pastas dedicadas? Poucos, o Paraná é exceção.

Regular continua sendo necessário. Mas, na era da IA, governar exige mais: compreender, estruturar e usar. A incapacidade de fazer isso não será neutra. O preço será pago em eficiência, competitividade e, no limite, na própria capacidade de soberania e governança. Líderes que entenderem isso hoje, estarão definindo os próximos 100 anos do Brasil e se seremos coadjuvantes ou protagonistas no mundo.

07 Mai 2026

IA e o Estado: só regular não basta

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