Falar de gastronomia local é falar de pertencimento. Em um mundo cada vez mais globalizado, onde sabores se repetem e menus parecem iguais em diferentes cidades, o uso de ingredientes locais e a valorização da identidade regional se tornam um poderoso diferencial.
Não é apenas sobre cozinhar bem, mas sobre contar histórias por meio dos pratos, conectar quem produz, quem prepara e quem consome e gerar valor real.
Trabalhar com ingredientes regionais fortalece a economia local, encurta distâncias e garante produtos mais frescos e cheios de sabor.
Pescados frescos, hortaliças colhidas no tempo certo, queijos artesanais, méis, farinhas e conservas produzidas por pequenos produtores carregam técnica, cultura e tradição. Quando esses elementos chegam à cozinha, eles deixam de ser apenas matéria-prima e passam a ser protagonistas.

Eu sou apaixonado por essa relação entre território e cozinha, é parte essencial do trabalho que venho desenvolvendo. Fico sempre atento, com o olhar voltado para o litoral catarinense e para o que a região oferece em cada estação. Frutos do mar, pescados da região, ingredientes simples e muitas vezes pouco valorizados ganham novas leituras na minha cozinha, sempre com respeito à origem e ao produto.

Quando um cliente come no Osli, ele começa a entender um pouco da ilha, do mar, das pessoas e das histórias que cercam aquela cozinha. Essa conexão gera memória, afeto e diferenciação, algo cada vez mais valorizado pelo público.
Além disso, cozinhar com identidade regional é um caminho sustentável. Reduz desperdícios, respeita a sazonalidade e estimula relações mais justas com produtores e pescadores. É uma gastronomia que olha para o futuro sem perder suas raízes.
A gastronomia local não é uma tendência passageira, mas uma escolha consciente. Quando o ingrediente carrega identidade, o prato ganha alma, o restaurante ganha propósito e o território ganha voz.