Por Leonardo Roesler
A partir de 1 de janeiro de 2026, toda empresa catarinense que comercializa bens ou serviços passou a destacar a nova Contribuição sobre Bens e Serviços, CBS, e o novo Imposto sobre Bens e Serviços, IBS, nas notas fiscais. A alíquota é simbólica, 0,9 por cento de CBS e 0,1 por cento de IBS, total de 1 por cento. Em tese, o valor será compensado com tributos atuais e não aumentará a carga. Na prática, porém, 2026 se torna, um grande exame de estresse da estrutura tributaria da sua empresa.
Cada venda de uma indústria em Blumenau, de um atacadista em Itajaí ou de um prestador de serviços em Florianópolis precisara sair com CBS e IBS corretamente calculados, cadastrados e escriturados. Se sistemas e equipes não estiverem preparados, surgem notas rejeitadas, divergências de crédito, risco de autuações e até discussão com clientes que exigirão plena conformidade, inclusive em cadeias de fornecimento mais sofisticadas.
Pense em uma empresa com faturamento anual de 120 milhões de reais. Um erro recorrente de apenas 0,5 por cento na base de cálculo pode significar 600 mil reais ao ano em risco de glosa de créditos ou cobrança adicional. E o que hoje parece fase de testes se tornara definitivo quando as alíquotas cheias, estimadas em cerca de 26,5 por cento na soma de CBS e IBS, entrarem em vigor nos próximos anos, com impacto direto em preços, margens e fluxo de caixa.
Para o empresário catarinense, o recado e claro. Trate 2026 como projeto estratégico, e não como simples obrigação burocrática. Revise sistemas, contratos e rotinas internas desde já. Quem usar o ano teste para organizar governança tributária, treinar o time e simular cenários transformara a reforma em vantagem competitiva. Quem adiar, provavelmente pagara o preço em caixa, segurança jurídica, acesso a crédito e espaço no mercado regional e nacional. Em Santa Catarina, quem planejar agora estará um passo a frente bem.