Para a empresa catarinense, ESG deixou de ser retórica elegante para se tornar critério de sobrevivência econômica. Em um estado cuja força está na indústria, no agronegócio, na tecnologia, na logística e na exportação, ignorar essa transformação é assumir, conscientemente, o risco de perder mercado, crédito, contratos e valor. O que antes era visto como diferencial reputacional hoje se converteu em exigência prática de competitividade.
Santa Catarina exportou US$ 12,19 bilhões em 2025, alcançando o maior faturamento de sua história, e o setor de carnes somou recorde de 2 milhões de toneladas e US$ 4,5 bilhões. Esse protagonismo expõe o empresariado local a um novo padrão de cobrança. O mercado internacional já não observa apenas preço, escala e qualidade final. Ele exige rastreabilidade, governança, integridade da cadeia produtiva, responsabilidade ambiental e capacidade real de responder a eventos extremos, passivos sociais e falhas de conformidade.
Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório ficou mais rigoroso. A Resolução CVM 193, alterada posteriormente, consolidou a marcha para a obrigatoriedade do reporte de sustentabilidade a partir dos exercícios iniciados em 2026. Ainda que nem toda empresa catarinense esteja sob regulação direta da CVM, todas serão afetadas pela mudança de comportamento do mercado, dos financiadores, dos clientes e das grandes cadeias de fornecimento.
Por isso, o debate sério não é mais se a empresa acredita ou não em ESG. A pergunta correta é outra: quanto custará permanecer fora desse padrão. Em Santa Catarina, onde competir bem exige eficiência, reputação e acesso a mercados exigentes, ESG não é ornamento ideológico. É defesa patrimonial, inteligência contratual e estratégia de permanência. Quem compreender isso agora ganhará robustez. Quem insistir em desprezar o tema pagará mais caro pela própria resistência. No atual cenário, omissão custa caro, reduz margem e exclui!