23/02/2026 às 12:31 Perfil Connect

Campeão olímpico que transforma vidas através do esporte em Santa Catarina

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Paulo André Jukoski da Silva, conhecido no mundo do esporte como Paulão, marcou época como jogador da seleção brasileira de vôlei, conquistando medalha olímpica em 1992 e deixando seu nome na história do voleibol nacional. Após uma carreira brilhante nas quadras, Paulão decidiu canalizar sua experiência e paixão pelo esporte em um projeto que vai muito além de títulos: o Instituto Paulão do Vôlei, uma escola voltada à formação de jovens atletas, com foco na disciplina, inclusão social e desenvolvimento pessoal.

Localizado em Santa Catarina, o instituto já beneficia dezenas de jovens, oferecendo treinamento de base, oportunidades de crescimento e a chance de sonhar alto, mostrando que o esporte pode ser uma ferramenta de transformação social, mas o talento e a força de vontade que temos aqui fazem a diferença.”



Das quadras de escola ao ouro olímpico

A história de Paulão com o vôlei começou de forma quase acidental, daquele jeito que o destino às vezes escolhe para mudar uma vida inteira. “Comecei minha vida esportiva na escola! Jogava handebol e recebi o convite do professor para fazer parte da equipe de vôlei, pois ele só tinha seis atletas e precisava de um reserva”, relembra. O que poderia ter sido apenas uma participação pontual transformou-se em vocação quando a lesão de um companheiro o colocou em quadra. E foi amor à primeira manchete.

Mas o caminho até a seleção brasileira foi pavimentado com obstáculos que iriam muito além das redes e das linhas da quadra. Nascido em uma família humilde de Gravataí, no Rio Grande do Sul, Paulão enfrentou desafios que muitos jovens atletas conhecem bem: a distância, a falta de recursos, as escolhas difíceis. Quando recebeu o convite para jogar em um clube de Porto Alegre, a 35 quilômetros de casa, a realidade bateu à porta. “Os desafios de custos foram grandes”, conta. Por quase dois anos, foi o mesmo professor que o descobriu quem bancou passagens e lanches, acreditando no potencial daquele garoto magro que só queria jogar bola.

É essa memória que pulsa viva até hoje no coração do campeão olímpico. É ela que o move quando olha para os jovens que treinam no seu instituto e vê, em cada um deles, um pouco de si mesmo.

Paulão ganhou a medalha de ouro no vôlei masculino na Olimpíada de Barcelona 1992.

O brilho do ouro e as lições que ficam

Perguntei a Paulão qual foi a experiência mais marcante de sua carreira e a resposta vem sem hesitação: “Sem dúvida, a medalha de ouro!” Não apenas pelo brilho do metal ou pelo hino tocado no pódio, mas pelo que aquela conquista representou em termos de jornada. “O caminho foi forte e cheio de desafios, mas o ouro mostra o real caminho do trabalho em equipe, as derrotas e a força do companheirismo”, reflete.

Foi nas quadras olímpicas que Paulão aprendeu que nenhum atleta conquista nada sozinho. Que as derrotas ensinam tanto quanto as vitórias. Que a disciplina é o alicerce sobre o qual se constrói qualquer sonho. E que, no final das contas, são as pessoas ao seu lado que fazem toda a diferença. Essas lições, lapidadas ao longo de anos de treinos exaustivos e competições eletrizantes, hoje formam a essência do trabalho que desenvolve com crianças e adolescentes em Florianópolis.

Do pódio ao projeto - um novo chamado

Quando parou de jogar profissionalmente, Paulão não sabia exatamente o que viria depois. Mas a vida, mais uma vez, mostrou o caminho. “Quando parei de jogar, muitas pessoas perguntavam... comecei a notar que as crianças gostavam da minha maneira! Gostei da alegria delas”, recorda com carinho. A pedido de amigos em Florianópolis, começou a dar aulas aos sábados, algo simples, quase informal. Mas logo a quadra estava cheia. As crianças voltavam, traziam amigos, os pais comentavam sobre as mudanças que viam em casa.

Ali, naqueles sábados ensolarados, nasceu algo maior. Paulão percebeu que tinha em mãos uma oportunidade de devolver ao esporte tudo o que ele lhe havia dado. Mais do que isso: tinha a chance de ser, para dezenas de jovens, aquilo que seu professor havia sido para ele — uma ponte para um futuro melhor.

Hoje, o projeto atende mais de 350 crianças e adolescentes, oferecendo muito mais do que técnica de saque ou recepção. “O amor que este esporte me passou foi marcante! A transformação de vida e oportunidades”, explica Paulão, resumindo em poucas palavras a missão do instituto. Ao lado de seu filho Pedro e de sua esposa, e com a parceria de Tati Ribas, técnica que integrou a seleção brasileira e traz consigo um conhecimento didático refinado, Paulão construiu um projeto que tem, literalmente, seu DNA: a memória das dificuldades, a gratidão pela ajuda recebida, o compromisso de estender a mão a quem precisa.

Quando formar pessoas importa mais que formar atletas

O que diferencia o Instituto Paulão do Vôlei de outras escolinhas esportivas é justamente essa visão integral do ser humano. Não se trata apenas de formar atletas de alto rendimento — embora isso também aconteça. Trata-se de formar pessoas. O instituto oferece um envolvimento extraquadra robusto: aulas de inglês, acompanhamento pedagógico, suporte psicológico, preparação física, bolsas escolares integrais, exames de DNA, acompanhamento nutricional, suplementação, avaliações médicas e fisioterapia.

“É um projeto que dá toda a condição para os jovens se desenvolverem”, afirma Paulão, orgulhoso. Embora haja mensalidades para quem pode pagar, o coração do projeto está no aspecto social: bolsas integrais e todo o apoio necessário são oferecidos a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. “Até porque foi o meu início, e tudo que eu puder fazer para eles dentro do vôlei, eu faço,” garante.

O instituto participa de campeonatos nacionais e competições estaduais, expondo os jovens ao ambiente competitivo, mas sempre com um pé no chão. “Hoje, o intuito do projeto é justamente desenvolver e educar através do vôlei, esporte coletivo de performance e também socioeducativo”, explica. A competição, aqui, é ferramenta pedagógica: ensina a ganhar com humildade, a perder com dignidade, a trabalhar em equipe, a respeitar limites — os próprios e os dos outros.

Lições que transbordam da quadra

Para Paulão, o vôlei é muito mais do que um esporte. É uma escola de vida. “Os ensinamentos, principalmente no vôlei, de ser esporte de equipe, coletivo, são fortes e levamos para a vida!”, enfatiza. Cada treino é uma aula sobre cooperação, responsabilidade, resiliência. Cada jogo, uma oportunidade de aprender sobre pressão, foco, superação.

Quando as crianças entram na quadra do instituto, muitas vezes chegam com mais do que o desejo de aprender a sacar ou cortar. Trazem consigo histórias de dificuldades, sonhos guardados, potenciais adormecidos. E é justamente aí que o trabalho de Paulão e sua equipe faz diferença. Ao ensinar fundamentos do vôlei, ensinam também sobre disciplina, comprometimento, valores. Ao cobrar presença e dedicação, mostram que conquistas exigem esforço. Ao celebrar vitórias coletivas, reforçam que ninguém chega longe sozinho.

É um trabalho que, para Paulão, deveria ser obrigatório nas escolas. “Nosso dia a dia precisava ter esporte diariamente! Como qualidade de vida e desenvolvimento”, defende com convicção. Ele sabe, por experiência própria, que o esporte tem o poder de reescrever narrativas, de abrir portas, de transformar realidades.

Sonhos que crescem junto com o time

O Instituto Paulão do Vôlei está em plena expansão. O time cresce, as competições aumentam, os desafios se multiplicam — mas também os sonhos. “Vai disputar várias competições nacionais no ano que vem, e é o nosso sonho, é o nosso sonho de crescer cada vez mais”, conta Paulão, com aquele brilho nos olhos de quem ainda acredita, de quem ainda se emociona, de quem ainda vê magia no esporte.

Cada jovem que passa pelo instituto leva consigo não apenas técnica apurada ou preparo físico, mas algo muito mais precioso: a certeza de que é possível sonhar, de que há pessoas que acreditam neles, de que suas histórias não estão escritas e podem ser reescritas quantas vezes forem necessárias. Alguns seguirão carreira no vôlei profissional. Outros escolherão caminhos diferentes. Mas todos levarão consigo as marcas de um projeto que nasceu da gratidão e se alimenta da esperança.

Uma mensagem para quem ousa sonhar

Ao ser perguntado sobre que mensagem gostaria de deixar para jovens que sonham com o esporte ou com projetos de transformação social, Paulão é direto, mas afetuoso: "O esporte necessita de muita disciplina, determinação de alcançar seus sonhos... não é fácil... mas é espetacular o resultado!"

São palavras de quem conhece tanto o suor das derrotas quanto o sabor das vitórias. De quem sabe que o caminho é longo, íngreme, às vezes solitário. Mas também de quem experimentou o que acontece quando se persiste, quando se acredita, quando se cerca de pessoas boas.

Paulão não promete facilidades. Promete verdade. E nisso reside a beleza de seu trabalho: na honestidade de quem não esconde as dificuldades, mas também não deixa ninguém esquecer das possibilidades. Na coragem de quem, ao invés de apenas olhar para trás e celebrar suas conquistas, decidiu estender a mão e puxar outros para cima.

Hoje, enquanto mais de 350 crianças e adolescentes correm, saltam, suam e sorriem nas quadras do Instituto Paulão do Vôlei, o legado do campeão olímpico se escreve não em medalhas, mas em vidas transformadas. E se o ouro de Barcelona foi o ponto alto de sua carreira como atleta, talvez seu maior título esteja sendo construído agora, um jovem de cada vez, um sonho de cada vez, uma vida de cada vez.

Porque, no fim das contas, Paulão entendeu algo que nem todos os campeões compreendem: que as vitórias mais bonitas nem sempre acontecem sob os holofotes dos ginásios olímpicos. Às vezes, elas acontecem no silêncio de uma tarde de sábado, quando um menino ou uma menina pega uma bola pela primeira vez e descobre que também pode voar.





23 Fev 2026

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