Com prefeitos, senadores, vice-governadora e líderes empresariais, o “SC: o Norte encontra o Norte” consolida uma região responsável por 20% do PIB estadual — e que quer mais.
Quando dezenas de prefeitos, líderes empresariais, senadores e a vice-governadora do estado se sentam à mesma mesa por um dia inteiro para discutir o futuro de uma região, algo importante está acontecendo. Foi exatamente isso que aconteceu no dia 30 de março, na sede da Associação Empresarial de Joinville (ACIJ): a segunda edição do SC: o Norte encontra o Norte reuniu as principais forças vivas do Norte catarinense num debate franco, estratégico e com compromisso de resultados.
A região não é pequena — é responsável por cerca de 20% do PIB de Santa Catarina, abriga um dos maiores portos do Brasil, concentra indústria de ponta, turismo em expansão e uma malha logística que conecta o estado ao mundo. Mas lideranças locais sabem que potencial não vira desenvolvimento por acaso. Daí a importância do fórum: transformar articulação em projetos, e projetos em investimentos.

Uma pesquisa que expõe a realidade
O dia começou com dados. A Univille apresentou um estudo inédito conduzido junto a prefeitos e lideranças dos 16 municípios que compõem o Norte catarinense — de Joinville a Itapoá, de Jaraguá do Sul a São Bento do Sul. O diagnóstico foi claro: falta capacidade técnica nas prefeituras para estruturar bons projetos, há entraves burocráticos que travam investimentos, e a reforma tributária em curso preocupa gestores públicos e empresários em igual medida.
Mas o estudo também revelou algo mais animador: os municípios não funcionam como ilhas. Indústria, logística, turismo e serviços se complementam num sistema econômico integrado — e essa dinâmica é, segundo o coordenador da pesquisa, professor Silvio Simon, o principal ativo da região para um crescimento coordenado e sustentável.
Projetos, recursos e quem sabe captar
Um dos painéis mais aguardados trouxe o gerente de projetos do Banco Mundial, Carlos Bellas Lamas, para debater captação de investimentos. A mensagem foi direta: dinheiro existe. O que falta, muitas vezes, é a capacidade técnica de transformar ideias em projetos sólidos, com governança clara e alinhamento às agendas globais de desenvolvimento.
“A competitividade dos municípios passa, cada vez mais, pela capacidade de estruturar bons projetos, com visão de longo prazo e alinhados às agendas globais.”, Carlos Bellas Lamas — Gerente de Projetos, Banco Mundial.
O secretário de Articulação Internacional do Estado, Paulinho Bornhausen, reforçou o papel da cooperação internacional nesse processo. Já o prefeito de Jaraguá do Sul, José Jair Franzner, trouxe à tona os desafios concretos dos municípios menores — que precisam de apoio mútuo para não ficar de fora das grandes oportunidades de financiamento.
Estradas, portos e o corredor que move SC
Mobilidade e infraestrutura foram debatidas como condição, não como luxo. O corredor portuário-logístico do Norte — que inclui os portos de São Francisco do Sul e Itapoá — foi apresentado como um dos vetores mais promissores da região. Um modelo inédito de parceria para dragagem, envolvendo o governo do Estado e os dois portos, chamou atenção pela inovação na gestão pública.
Egídio Martorano, da FIESC, resumiu bem o consenso: investir em mobilidade não é gasto, é aposta na competitividade e na qualidade de vida de quem vive e produz na região.
A visão de quem lidera

Ao encerrar o evento, o presidente da ACIJ, Guilherme Bertani, foi preciso: “Com integração, visão de longo prazo e foco em inovação, o Norte catarinense seguirá fortalecendo seu desenvolvimento econômico.” Mais do que palavras de encerramento, a frase resume a aposta de toda uma região — que já provou que sabe crescer, e agora quer crescer junto.
O SC: o Norte encontra o Norte deixou de ser evento para se tornar fórum permanente. A próxima edição já é esperada — e o Norte de Santa Catarina não pretende ficar parado até lá.