Trinta anos construindo pontes entre o campo e o mundo
Quatro dias. Trinta anos de história. Mais de 37 mil visitas. E uma cidade que simplesmente parou — no bom sentido — para receber o mundo.
A Mercoagro 2026 não foi apenas uma feira. Foi uma demonstração de que Chapecó tem escala, estrutura e vocação para protagonizar um evento de alcance verdadeiramente internacional. Participantes de 21 países, aeronaves particulares disputando espaço no aeroporto local, hotéis lotados, restaurantes cheios e um volume estimado de R$ 1,1 bilhão em negócios. Os números impressionam — mas o que ficou foi algo maior: a sensação de que o agronegócio brasileiro tem um endereço certo quando quer se encontrar.
Trinta anos de construção
Completar três décadas não é apenas uma questão de calendário. É a prova de que um evento soube se reinventar sem perder a essência. A Mercoagro nasceu como feira de industrialização da carne e cresceu até se tornar, na avaliação de seus organizadores, a principal feira do setor na América Latina.
O coordenador-geral Nadir José Cervelin definiu esta edição como encerrada “com chave de ouro”. Em conversas com expositores ao longo dos dias de feira, ele percebeu algo que vai além das estatísticas: satisfação genuína com a qualidade do público, com a organização e com o ambiente criado. “Uma feira de nível mundial”, nas suas palavras — e os dados sustentam essa percepção.
Uma cidade transformada
Chapecó acordou diferente durante a semana da Mercoagro. O aeroporto registrou 15 aeronaves particulares simultaneamente — incluindo duas internacionais, vindas da Argentina e do Uruguai. O comércio, os serviços, a rede hoteleira: tudo sentiu o pulso acelerado de uma cidade que sabe receber.
Para Fábio Luis Magro, diretor institucional e de feiras da ACIC, o impacto foi exatamente o esperado: “Chapecó viveu uma semana especial, com forte impacto positivo na economia local.” Mais do que movimento, foi reconhecimento — de que a cidade tem capacidade de sediar um evento que conecta compradores e fornecedores de Bangladesh ao Peru, da Polônia à Nova Zelândia.
Negócios que se desdobram
Feira boa é aquela cujos efeitos continuam depois que as tendas são desmontadas. A equipe do BRDE que circulou pelos pavilhões já nos dois primeiros dias identificou demanda de crédito estimada em R$ 80,1 milhões — com alto potencial de formalização ainda no primeiro semestre. Um sinal claro de que os encontros gerados na Mercoagro não ficam nas trocas de cartão: viram investimento, contrato e expansão.
Carlos Roberto Klaus, presidente da ACIC, resume bem esse movimento: a Mercoagro é um ambiente onde conexões se transformam em inovação e crescimento comercial. E quando o setor público e o privado caminham juntos nessa construção, o alcance se multiplica.
Já pensando em 2028
“Estamos muito satisfeitos com tudo o que foi construído e já projetamos uma Mercoagro 2028 ainda melhor”, antecipou Magro.
Melhorias de infraestrutura, como a climatização dos pavilhões e a ampliação dos espaços, já fizeram diferença nesta edição. A tendência é que cada ciclo eleve ainda mais o padrão — porque quando uma feira alcança esse nível de maturidade, o desafio deixa de ser crescer e passa a ser superar a si mesma.
Trinta anos depois, a Mercoagro prova que o agronegócio brasileiro não apenas produz com excelência — ele também sabe celebrar, conectar e inspirar. E Chapecó, mais uma vez, mostrou que está à altura desse papel.